Pesquisar no blog

0

segunda-feira, abril 4

Novo livro sobre o Google mostra gafes na China


Quando o Google abriu os negócios na China em 2006, Eric Schmidt, seu diretor-executivo, disse: “o Google tem 5 mil anos de paciência na China”.

Mas seu divórcio do país alguns anos mais tarde foi inevitável porque as operações lá foram complicadas desde o início.

Esta é a conclusão de Steven Levy, um jornalista de tecnologia de longa data que passou três anos investigando a companhia para escrever “In the Plex: How Google Thinks, Works and Shapes Our Lives”. O The New York Times obteve uma cópia do livro, que chegará às livrarias em 12 de abril.


O livro, uma história ampla da companhia desde o início até se tornar um monstro, lança uma luz sobre as maiores ameaças que o Google enfrenta hoje, do governo chinês ao Facebook e os críticos à privacidade.

Embora o Google, que recusou-se a comentar este artigo, tenha deixado a China depois de acusar autoridades do governo de invadir computadores da companhia e contas de ativistas no Gmail, uma longa sequência de problemas levou a essa decisão.



Houve passos errados desde o início. Quando os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, visitaram a China em2004, precisavam de uma orientação sobre como se comportar, escreve Levy. Numa visita à Índia, eles foram comparados a mochileiros universitários, andando de riquixás. Al Gore, o ex-presidente norte-americano, teve que alertá-los que eram politicamente ingênuos e que os chineses os achariam arrogantes se agissem desse forma na China.


Muitos usuários de internet na China preferiram continuar usando o mecanismo de busca Baidu por patriotismo, e o governo até redirecionou o tráfego do Google para o Baidu, de acordo com Levy. O Google nunca soube como lidar com os costumes dos negócios na China. Ele demitiu sua chefe de relações com o governo da China depois que ela deu iPods para funcionários do governo, uma iniciativa que ela colocou em sua conta de despesas no Google. O próprio Google tornou dificultou que seus funcionários fossem bem sucedidos na China, escreveu Levy. Ele se recusou a destinar dinheiro para publicar anúncios na China, e os fundadores nunca visitaram o país depois que seu escritório foi aberto.

Mas um problema foi maior do que todos os outros, de acordo com o livro. Embora o Google se vanglorie de dar acesso ao seu código fonte para os engenheiros inventarem produtos, ele bloqueou o código para os engenheiros da China porque disse que autoridades do governo poderiam obrigá-los a revelar informações privadas. Engenheiros experientes, que sentiram essa desconfiança, não podiam trabalhar em novos produtos e tinham que passar o tempo fazendo tarefas como testar as buscas do Google, algo que pessoas menos qualificadas fazem nos outros escritórios da empresa.

Um ano antes de o Google descobrir a invasão eletrônica que o incentivou a deixar o país, um grupo de executivos, liderados por Andrew McLaughlin, ex-chefe de política pública da empresa, e David C. Drummond, diretor legal do Google, começaram a pressionar pela saída do Google do país.


Outras batalhas em que o Google está envolvido hoje, contra o Facebook e críticas às suas políticas de privacidade, também se iniciaram há alguns anos.

Schmidt, que será substituído por Page na segunda-feira, cometeu gafes públicas ao falar sobre privacidade. Levy revela que ele cometeu gafes também dentro da companhia. Schmidt pediu ao Google para retirar do mecanismo de busca as informações sobre uma doação política que ele havia feito. Sheryl Sandberg, executiva do Google que agora é diretora de operações do Facebook, disse a ele que isso era inaceitável.

A luta contra o Facebook começou com maior intensidade no ano passado, quando Urs Hoelzle, o primeiro engenheiro vice-presidente da companhia, escreveu um memorando, que os funcionários chamaram de Urs-Quake, alertando que o Google estava para trás nas redes sociais e precisava recrutar pessoas para trabalhar imediatamente.

Eles chamaram o projeto de Emerald Sea e fizeram uma paródia de uma pintura de 1878 com esse mesmo nome e a colocaram em frente aos elevadores do lugar em que trabalhavam, de acordo com o livro. O quadro mostrava uma onda enorme derrubando um navio. Esse navio poderia ser o Google, alertavam – a companhia velejaria na onda das redes sociais ou se afogaria nela.

Numa entrevista, Levy atribuiu as falhas do Google nas redes sociais à sua incapacidade de correr atrás de um concorrente.

“Eles estão muito nervosos em relação ao Facebook”, disse ele. “O Google não é forte no espelho retrovisor. O Google é forte quando está olhando pelo seu próprio pára-brisa.”


Tradução: Eloise De Vylder

Artigos Relacionados

0 comentários:

Postar um comentário

Comente aqui.